tobor e o amanhecer antecipado em seu dia.

vida simples, pensamento elevado.

Segunda-feira, Julho 13

poema da casa

acabo de limpiar la casa
y estava pesando en ti
en como mi amor se divide en habitaciones
y cuando te tengo soy cama, mesa y baño
y cuando te quiero soy cocina, patio y sala
y cuando te sueño soy ventanas, portas y entradas
y cuando te beso soy luz, pura luz
cuando te amo soy casa, comida y ropa lavada

Quinta-feira, Junho 4

Cidadão do Mundo

O Quelyno fez um poema pra mim. Num sei nem o que dizer. Divertidíssimo. ahhahahaha

João Faissal é cidadão do mundo
Cria uma produção singular
Agora ele produz na Espanha
Mas, já produziu no Brasil e Canadá

A Paraíba deu um vacilo
E João foi pra Europa criar
Apresentar seu trabalho
A quem sabe valorizar

"Não é mentira minha"
Nem tão pouco de Ivaldo
Só quem faz como João
É o publicitário renomado


--
Quelyno Souza

Sábado, Abril 25

poemas para uma bela

-- dois --
uma jubarte de asas
coisas com traças
livros sem algumas letrinhas
uma flor num vasinho
um certo olhinho
coqueiros altos
baixos baixos
toc-toc na barriga do elefante
e eu me espaço, me universo, me entrelaço
até a esquina do horizonte

-- um --
eu digo é que digo tudo assim, meio de lado
meio preci-necessário
que tudo sem pressa
na calma do dia
calada noite preta
um beijo em teta
outro em testa
menina regressa
que já chego de vez

-- zero --

Domingo, Fevereiro 1

Ei Balão! Tou de oi aí, viu?

A Confraria dos Flanelinhas do Brasil (AKA: CFB), declarou semana passada que entrará em greve.

A declarada classe está insatisfeita com tal fardamento ditado em lei. A coisa tá braba. Os flanelinhas unidos querem mudança já. A greve está tomando dimensões inesperadas: pessoas não mais encontram vagas em estacionamento, moedas se acomulam feito areia nos painéis de plástico dos carros e as senhoras mais descuidadas estão batendo nos carros enquanto dão ré. A coisa tá braba, tá brabíssima. Com grande polêmica na cidade, os Flanelinhas ocuparam a Câmara para ditar novas regras. Eles querem acabar com essa história de que Flanelinha tem que trabalhar com uma flanela. Causadora de calos horrendos na mão, "a flanela é um tipo de fardamento extremamente inútil", diz Maurício "Galego", o famoso assobiador da Avenida Central.

As devidas autoridades não sabem o que fazem. A oposição, que diga-se de passagem é uma merda - o Supremo Tribunal das Causas Justas e dos Padroeiros de Santa Benedita - está criticando a greve dizendo que não faz sentido. Eles questionam o fato de que, sem a flanela, os Flanelinhas não deviam se chamar assim e por assim sendo, não existiriam! Pois assim essa greve não existiria, pois os próprios grevitas não existiriam. E assim afirmando, eles fecham os ouvidos, tapam os olhos e se calam num canto escuro de uma sala do Senado. Grandes filhos da puta. Pois a classe unida da Confraria dos Flanelinhas do Brasil não aceitará isso e o caos vai tá formado. O mundo vai cair. E eu vou assistir à isso tudo, atônito.

Sábado, Novembro 29

Os Óculos do Drummond


Estátua de Drummond é alvo de vândalos pela sétima vez


SOLANGE SPIGLIATTI - Agencia Estado

SÃO PAULO - A estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, que fica na Praia de Copacabana, zona sul do Rio, foi alvo de vandalismo pela sétima vez. Na madrugada de quinta-feira, a haste direita dos óculos foi furtada. Dessa vez, o aro direito dos óculos foi arrancado e a estátua amanheceu incompleta. No entanto, a prefeitura não soube informar quando a peça foi danificada.

Inaugurada em 2001, esta é a sétima vez que a estátua é danificada. A prefeitura do Rio informou que uma empresa foi contratada para fazer o conserto dos óculos sempre que houvesse algum dano.


Sempre soube. Arturo Pessoa vinha de Minas Gerais, é um aficcionado por Rodin e sempre admirou bastante a esperteza do tal divino espírito santo de colocar dois grande seres na Terra: Mahatma Gandhi e Carlos Drummond de Andrade. Desde que se apaixonou por Vitória, não largava o livrinho de poesias que possuía, gasto nas bordas e amarelo por vários motivos (entre um desses, um café amargo que derrubara em um verão antigo, sem amores). Possuia na arte da fala, o desejo delicioso pelas rimas e as suspirava todos os dias nas franjas de Vitória. Era bonito de ver aquilo. Ela rindo, olhos sem piscar, lambendo uma colher de sorvete e ele lá, olhos arregalados, interpretando Drummond como se fosse o próprio. E talvez até achasse que fosse.

Arrumou emprego em uma empresa do ramo de restauração de prédios antigos. Odiava o pó, mas amava a arte, as ervas e as uvas. Acabou que recebeu uma ordem de serviço bem diferenciada. A pobre da estátua do seu alter-ego estava sendo destruída por alguém da cidade. Não permitiu isso. Consultou a ordem de serviço e viu que tinham arrancado o polegar e um pedaço da orelha esquerda da estátua do Drummond. Foi no outro dia averiguar a destruição. Percebeu que a orelha aparentava ter sido mordida, mas não acreditou muito no que viu. Mas o que mais lhe incomodou eram os óculos do poeta. Ele sabia que Drummond nunca usaria óculos com aquele desenho e corte especial, tinha algo errado ali e ele tinha que analisar melhor. Passou a pesquisar na Biblioteca Municipal todo o acervo gráfico de fotos do poeta e conseguiu encontrar bastante material para poder refazer a estátua. Passou três dias inteiros trabalho na orelha e no polegar e mais cinco refazendo o óculos. Acabou repondo todas as peças na estátua, mas ele ainda percebia que algo estava errado. Passou meses tentando encontrar soluções e passou a ser o próprio cidadão que arrancava as partes do óculos para poder receber uma ordem de serviço e refazer da forma que achava apropriado. A loucura subiu em sua cabeça e uma coleção de partes de óculos e pedras se acumulavam em sua casa. E sua vida se tornava uma obsessiva busca pelo óculos verdadeiramente "Drummonístico".

Há de quem achasse que era realmente vandalismo, na verdade, todo mundo achava isso. Mas o Arturo sabia da verdade. Ele sabia também que nunca conseguiria o formato do óculos perfeito, pois ele lhe faltava a parte mais importante: o olho vivo por trás da lente.